Sonangol prepara-se para desenvolver novo campo de gás natural na bacia de Benguela
Poço Katambi-2 registou uma produção de 41 milhões de pés cúbicos de gás por dia e 1.160 barris de condensados. Projecto poderá reforçar a oferta energética de Angola, mas coloca o desafio de conciliar a exploração de hidrocarbonetos com a actividade pesqueira. A Sonangol prepara-se para avançar com o desenvolvimento de uma descoberta de gás […]
Poço Katambi-2 registou uma produção de 41 milhões de pés cúbicos de gás por dia e 1.160 barris de condensados. Projecto poderá reforçar a oferta energética de Angola, mas coloca o desafio de conciliar a exploração de hidrocarbonetos com a actividade pesqueira.
A Sonangol prepara-se para avançar com o desenvolvimento de uma descoberta de gás natural na bacia marítima de Benguela, depois de os testes realizados no poço Katambi-2, localizado no Bloco 24, terem confirmado a existência de reservatórios de boa qualidade. O resultado representa um marco para o sector petrolífero angolano, ao confirmar o potencial de produção de gás não associado, num contexto de crescente importância desta matéria-prima nos mercados internacionais.
Os testes realizados no poço, cuja perfuração foi concluída em Agosto, registaram uma produção estabilizada de 41 milhões de pés cúbicos padrão de gás por dia, além de 1.160 barris diários de condensados, um produto líquido associado aos hidrocarbonetos gasosos. Segundo os dados divulgados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e pela Sonangol Exploração e Produção, o potencial de produção poderá ultrapassar os 100 milhões de pés cúbicos diários.
O presidente do conselho de administração da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins, classificou a descoberta como um campo de «gás puro», salientando a importância crescente deste recurso no mercado internacional. O responsável indicou que a empresa pretende utilizar o gás para responder às necessidades internas de Angola, admitindo também a possibilidade de exportação, caso existam excedentes.
A descoberta ganha particular relevância por se tratar de um reservatório de gás não associado, isto é, um jazigo em que o gás não se encontra predominantemente associado a um reservatório de petróleo bruto. O teste de fluxo completo realizado no Katambi-2 constituiu, segundo a ANPG e a Sonangol, o primeiro do género num reservatório desta natureza em Angola. Os resultados reforçam as perspectivas de desenvolvimento do projecto, embora a dimensão comercial definitiva dependa de avaliações técnicas e económicas adicionais.
Próximas etapas do projecto
O Katambi-2 foi perfurado a cerca de 1,3 quilómetros do poço Katambi-1, cuja exploração remonta a 2014 e 2015. A nova perfuração atravessou dois intervalos produtivos, com uma espessura total aproximada de 331 metros, tendo identificado reservatórios com características de porosidade e permeabilidade favoráveis.
Apesar dos resultados positivos, os dados disponíveis não permitem ainda determinar o volume total das reservas recuperáveis, o montante do investimento necessário ou a data prevista para o início da produção comercial. A Sonangol e a ANPG terão de concluir os trabalhos de avaliação e definir as condições de desenvolvimento do campo.
A concretização do projecto poderá igualmente ter efeitos sobre o emprego e a actividade económica na região sul do país. Informações divulgadas pela RNA apontam para a possibilidade de criação de mais de 300 postos de trabalho directos e milhares de empregos indirectos, embora estes números dependam da configuração final do empreendimento.
Exploração de gás e actividade pesqueira
A perspectiva de desenvolvimento do campo levanta, entretanto, questões relacionadas com a convivência entre a exploração de hidrocarbonetos no mar e a actividade pesqueira. O sector das pescas desempenha um papel importante no abastecimento alimentar, na criação de emprego e no rendimento das comunidades costeiras, pelo que eventuais impactos das operações petrolíferas exigem acompanhamento.
Questionado sobre esta matéria, Sebastião Gaspar Martins defendeu que a exploração petrolífera não é necessariamente incompatível com o desenvolvimento da pesca. O responsável sustentou que as duas actividades podem coexistir, desde que sejam adoptadas medidas adequadas para proteger os recursos marinhos e assegurar um equilíbrio entre os diferentes interesses económicos.
A questão ganha importância perante a necessidade de garantir que o desenvolvimento dos recursos energéticos não prejudique outras actividades económicas. A avaliação dos impactos ambientais, a monitorização dos ecossistemas marinhos e a articulação com os operadores da pesca serão elementos relevantes para a gestão sustentável da área.
Potencial para a economia angolana
A descoberta na bacia de Benguela abre novas perspectivas para a diversificação da produção de hidrocarbonetos em Angola, tradicionalmente centrada no petróleo bruto. O aproveitamento comercial do gás poderá contribuir para reforçar a disponibilidade de energia e de matérias-primas para a indústria, além de criar oportunidades de exportação, caso a produção venha a exceder as necessidades internas.
O resultado final dependerá, contudo, da capacidade de transformar o potencial geológico confirmado pelos testes num projecto comercialmente viável. O volume das reservas recuperáveis, os custos de desenvolvimento, as infra-estruturas necessárias e a evolução da procura serão determinantes para avaliar o contributo efectivo do campo para a economia nacional.
Para já, o Katambi-2 representa um avanço na exploração de gás não associado em Angola. A próxima fase será decisiva para determinar a dimensão económica da descoberta e as condições em que poderá contribuir para a segurança energética, a criação de emprego e o desenvolvimento industrial, sem descurar a protecção dos recursos marinhos e das comunidades que deles dependem.
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- 798 words · 4 min read
- Published
- October 21, 2026
- Byline
- Anette
- Source
- Mercado