Banca deve financiar projectos e não o património dos promotores, defende presidente do Banco Caixa Angola
Patrício Vilar aponta a fraca qualidade da informação financeira, a insegurança jurídica e a liquidez como os principais travões ao crédito em Angola. O banco já transforma 45% dos depósitos em crédito à economia privada, contra 20% há seis anos.
A concessão de crédito em Angola deve assentar no mérito dos projectos e não nas garantias patrimoniais de quem os promove. A defesa foi feita na segunda-feira por Patrício Vilar, presidente do Conselho de Administração do Banco Caixa Angola, à margem da primeira edição do Matemática Financeira Experience (MF X), em Luanda, onde participou num painel sobre os desafios do sector bancário.
Para o gestor, o primeiro desafio é a qualidade da informação financeira. As empresas devem apresentar contas credíveis e certificadas por entidades independentes, para que os bancos possam avaliar com rigor a viabilidade dos projectos. Assim, defende, os projectos poderão ser financiados pela sua capacidade de gerar resultados, e não apenas pelo património pessoal dos promotores.
Imóveis por registar
O segundo desafio é a segurança jurídica, sobretudo na recuperação do crédito em caso de incumprimento. Patrício Vilar defende que os imóveis usados pelas empresas, como as instalações que podem servir de garantia, estejam legalizados e registados. As dificuldades na regularização e no registo das propriedades, explicou, limitam a capacidade dos bancos de constituírem garantias válidas e de recuperarem os valores emprestados.
O terceiro é a liquidez. O gestor apontou três caminhos para reforçar a capacidade de financiamento dos bancos: aumentos de capital, fusões entre instituições e sindicatos bancários para financiar projectos de maior dimensão, em que vários bancos partilham o risco e juntam recursos que, sozinhos, não teriam.
Do Estado para as empresas
Financiar a economia “sempre foi” uma das funções fundamentais da banca, lembrou o gestor, mas durante muito tempo a forte procura de financiamento por parte do Estado condicionou a distribuição do crédito. O crescimento das empresas privadas e a melhoria da informação que prestam aos bancos estão agora a abrir novas oportunidades.
O Banco Caixa Angola tem hoje uma taxa de transformação de 45%, excluindo o financiamento ao Estado. Há cerca de seis anos, nas melhores condições, rondava os 20%. Este indicador mede a parte dos recursos captados pelo banco que é convertida em crédito.
O petróleo e os diamantes continuam a ter um peso relevante na carteira do banco, mas Patrício Vilar destacou o crescimento na indústria, em actividadesespecíficas, e na distribuição alimentar. Para o gestor, o sector bancário deverá crescer ao ritmo da actividade empresarial, contribuindo para a diversificação da economia angolana.
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- 419 words · 2 min read
- Published
- October 27, 2026
- Byline
- Anette
- Source
- Mercado