China condena três membros de rede de fraudes em Myanmar à pena de morte

Dois tribunais da província chinesa de Fujian, no sudeste do país, condenaram à morte três membros de uma rede criminosa ligada a fraudes transnacionais cometidas a partir de Myanmar (antiga Birmânia), noticiou hoje a imprensa local.
No mesmo processo, julgado pelos tribunais de Quanzhou e Nan'an, outros três arguidos foram condenados a prisão perpétua e 55 receberam penas de prisão entre três e 24 anos, segundo o jornal oficial Global Times.
As sentenças, anunciadas na terça-feira, incluem ainda multas, confisco de bens e, em alguns casos, deportação.
Todos os condenados pertencem ao chamado clã Wei, considerado uma das principais famílias criminosas da região de Kokang, no norte de Myanmar, junto à fronteira com a China.
Os condenados à morte são Wei Huairen, Chen Dawei e Liao Jingfang, enquanto Wei Qingtao, Kang Min e Xiong Hengxing receberam penas de prisão perpétua.
Segundo os tribunais, dois grupos criminosos aproveitaram, desde 2019, a influência do clã Wei em Kokang para estabelecer vários complexos dedicados a atividades ilegais na cidade de Laukkaing e fornecer proteção armada aos responsáveis pelas operações.
As organizações estiveram envolvidas em crimes como burlas 'online', exploração de casinos ilegais, extorsão, organização de prostituição, tráfico de droga e tráfico de pessoas.
Os lucros destas atividades ultrapassaram 12 mil milhões de yuan (cerca de 1.600 milhões de euros), segundo a sentença.
Os tribunais consideraram ainda que o clã Wei colaborou com redes de fraude no homicídio de pessoas que se recusaram a cumprir ordens nos complexos criminosos, incluindo quatro cidadãos chineses.
Nos últimos dois anos, as autoridades chinesas anunciaram o desmantelamento dos clãs Ming, Wei e Liu, considerados entre as principais organizações criminosas de Kokang.
O processo insere-se na campanha lançada por Pequim contra as redes de burlas informáticas sediadas em Myanmar, onde grupos armados de origem chinesa controlaram durante anos complexos dedicados a fraudes 'online', prostituição e jogo ilegal.
Até ao final de 2025, os tribunais chineses julgaram mais de 27 mil processos relacionados com fraudes através de telecomunicações cometidas a partir do norte de Myanmar e condenado mais de 41 mil pessoas repatriadas daquele país, segundo um relatório do Supremo Tribunal Popular da China.
Os centros de fraude proliferaram nas regiões fronteiriças de Myanmar após o golpe de Estado militar de fevereiro de 2021, que agravou a instabilidade no país e favoreceu a expansão de redes de crime organizado.
Segundo um relatório das Nações Unidas, pelo menos 120 mil pessoas encontram-se retidas em centros de Myanmar, onde são obrigadas a cometer burlas informáticas.
As vítimas são frequentemente atraídas por falsas ofertas de emprego e depois mantidas em complexos fechados, semelhantes a prisões, onde são forçadas a realizar fraudes através da Internet, sob ameaças e sujeitas a "violência extrema", de acordo com autoridades internacionais.
Foto: depositphotos
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- 455 words · 2 min read
- Published
- October 14, 2026
- Byline
- Expresso das Ilhas
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- Expresso das Ilhas