Acções ligadas à IA caem globalmente
As acções de empresas ligadas à inteligência artificial recuaram globalmente na segunda-feira, depois de vários dos principais responsáveis do sector terem defendido um abrandamento no desenvolvimento dos chamados “modelos de fronteira” — os sistemas de IA mais avançados atualmente em construção. A Microsoft juntou-se à OpenAI, à Anthropic e à SpaceXAI ao apoiar uma abordagem […]
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As acções de empresas ligadas à inteligência artificial recuaram globalmente na segunda-feira, depois de vários dos principais responsáveis do sector terem defendido um abrandamento no desenvolvimento dos chamados “modelos de fronteira” — os sistemas de IA mais avançados atualmente em construção. A Microsoft juntou-se à OpenAI, à Anthropic e à SpaceXAI ao apoiar uma abordagem mais prudente, alimentando entre os investidores o receio de que uma redução no investimento em capacidade computacional possa travar o boom que tem sustentado uma valorização generalizada nos mercados globais.
O movimento arrancou no fim de semana, quando o director executivo da Anthropic, Dario Amodei, publicou um extenso ensaio a defender que a indústria deveria “pautar” o ritmo de desenvolvimento da fronteira tecnológica, propondo um plano em três partes para o fazer — entre elas, conceder a avaliadores externos independentes um acesso permanente e equivalente ao de um funcionário, para examinar os procedimentos de segurança das empresas. A Anthropic anunciou que se comprometeu, de forma unilateral, a avançar já com essa primeira medida. Amodei sublinhou que “pautar” o ritmo não significa suspender o treino de modelos ou o progresso técnico, mas sim dar mais tempo ao trabalho de segurança para acompanhar o avanço das capacidades.
O apelo foi rapidamente secundado por Sam Altman, da OpenAI, que se mostrou disponível para conceder um acesso semelhante a avaliadores externos, e por Elon Musk, da SpaceX. Do lado da Microsoft, o responsável pela área de IA, Mustafa Suleyman, resumiu a posição da empresa: «Temos de continuar a desenvolver. Só temos de o fazer com um pouco mais de cautela e cuidado.»
As preocupações com os riscos da tecnologia tinham já ressurgido na semana anterior, depois de um investigador da Anthropic, Jacob Coxon, se ter demitido e afirmado publicamente que «as pessoas que constroem IA acreditam sinceramente que esta pode matar-nos a todos até ao final da década». Evan Hubinger, responsável pela área de segurança de alinhamento da Anthropic, partilhou essas mesmas preocupações, dizendo acreditar existir uma probabilidade superior a 10% de esse cenário se concretizar na próxima década.
A reação dos mercados foi imediata. Os futuros do Nasdaq 100 chegaram a cair cerca de 1,8% nas negociações pré-mercado nos Estados Unidos, arrastados pelas quedas em fabricantes de semicondutores como a Nvidia e a Intel. No Japão, as ações da SoftBank — investidora na OpenAI — fecharam com uma queda próxima dos 11%, enquanto na Coreia do Sul o índice Kospi recuou 3,3%, penalizado pela quebra de mais de 6% na fabricante de chips SK Hynix. Na Europa, a neerlandesa ASML, fornecedora de equipamento para a produção de semicondutores, chegou a cair 6%. Fabricantes de memória e equipamento, como a Micron e a Applied Materials, também registaram quedas superiores a 4%.
Este recuo surge também depois de Altman ter afirmado, em declarações divulgadas no sábado, que a OpenAI não vai avançar para uma oferta pública inicial (IPO) este ano — ao contrário do que era anteriormente esperado pelo mercado. Já a Anthropic segue um caminho diferente: a empresa informou investidores de que espera registar o segundo trimestre consecutivo com lucros, avançando assim rumo a uma eventual entrada em bolsa.
Nem todos os analistas acreditam, contudo, que este movimento representa uma travagem duradoura no investimento em IA. Segundo analistas do Deutsche Bank, citados na sequência destas declarações, «a corrida competitiva entre empresas e países mantém-se intensa, e é difícil imaginar que as empresas recuem voluntariamente enquanto os rivais continuam a avançar». A opinião é partilhada por vários analistas de mercado, que apontam a dificuldade de coordenar um abrandamento genuíno num sector marcado pela concorrência entre gigantes tecnológicos e entre potências como os Estados Unidos e a China.
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- 607 words · 3 min read
- Published
- September 15, 2026
- Byline
- Anette
- Source
- Mercado