Face a preços “elevados” dos materiais escolares, pais ultimam preparativos para o regresso às aulas

Para além das despesas, os pais manifestam também preocupações e expectativas em relação ao novo ano lectivo, que vão desde a adaptação e o desempenho dos filhos às mudanças previstas no funcionamento das escolas.
**Preparativos **
Eunice Vanusa, mãe de uma criança do 2.º ano do ensino básico obrigatório e de um aluno do 11.º ano do secundário, contou ao Expresso das Ilhas que, a uma semana do arranque das aulas, tem quase todos os materiais preparados.
“Então, a nossa prioridade são mais as mochilas, cadernos e outros. Já os livros, deixamos para comprar na semana seguinte de 21. Assim, ganhamos tempo e contamos com o salário deste final de mês”, avançou.
Suzi Lima relevou que, tendo dois filhos no ensino primário e dois no secundário, já tem grande parte dos preparativos para o novo ano lectivo concluídos.
“Já comprei batas escolares para os meninos e bolsas. O que falta mesmo é o uniforme do secundário, mas pretendo deixar para comprar na semana do início das aulas.”
Segundo esta mãe, falta ainda a compra de alguns livros, que é a despesa que pesa no bolso, uma vez que se trata de quatro filhos em diferentes níveis de escolaridade.
Sara Vieira explicou que, perto das aulas arrancarem, ainda não tinha iniciado os preparativos para o novo ano lectivo, devido a um atraso financeiro.
“Tive um bocadinho de atraso, por causa da falta de dinheiro, mas semana que vem vou-me preparar”, assegurou esta entrevistada.
Alice outra entrevistada, afirmou que já tem praticamente tudo preparado para o início do ano lectivo, uma vez que conseguiu um apoio quase total para compara dos materiais, ficando em falta apenas uniformes de educação física.
Preços
Numa ronda pelas papelarias e estabelecimentos que comercializam uniformes escolares, o Expresso das Ilhas constatou que os preços dos materiais apresentam valores diferenciados consoante o tipo e o modelo.
Os cadernos, por exemplo, podem ser encontrados a partir de 56 escudos, chegando a 2020 escudos ou mais, nos modelos maiores. Já as mochilas apresentam preços que variam entre 600 e 8.000 escudos, enquanto os livros podem custar entre 115 a 1058 escudos. Os uniformes escolares variam entre 700 e 2.000 escudos, dependendo do tipo de uniforme e da escola.
De todos os materiais escolares, Eunice Tavares considerou os cadernos mais dispendiosos. Para o filho mais velho, adquiriu onze cadernos a 150 escudos cada.
Já para a filha mais nova, detalhou que costuma comprar de acordo com as exigências dos professores, uma vez que, sendo ela ainda da segunda classe, exige um caderno melhor, por estar ainda no processo de aprendizagem. Depois, há a mochila, que, segundo disse, varia de preço, mas “tem que se dar um jeito para comprar”.
Conforme ressaltou, o material, pelo que observou, teve um ligeiro aumento de preço. “Não sei se é um aumento local, na Praia, mas o material teve, sim, um bocadinho de subida de preço”, frisou esta mãe.
Questionada sobre os materiais mais dispendiosos este ano, Suzi Lima apontou o uniforme como a principal despesa.
“Mais caro este ano é o uniforme, sem contar mochilas e livros, também, mas os mais caros são os uniformes”, afirmou.
Para Sara Vieira, os preços dos materiais escolares estão um pouco elevados, com base nas informações que recebeu de familiares e conhecidos que já fizeram algumas compras.
“Estão um bocadinho caros, pelo que eu ouvi. A minha cunhada, o vizinho, foram comprar e acharam um pouco caro”, explicou.
Quanto às despesas, referiu que, como tem três crianças, os gastos podem chegar aos nove mil escudos, o que pesa, para si, no bolso.
A mãe adiantou ainda que, para fazer face às despesas escolares, por vezes conta com o apoio de familiares.
Sobre os custos, Alice afirmou que os preços dos materiais escolares estão a ficar pesados para as famílias, sobretudo para quem tem vários filhos em idade escolar.
“O uniforme está caro e os materiais também estão um bocadinho puxados. Os preços estão a ficar um pouco exagerados. Imagina uma mãe que tem dois ou três meninos na escola”, referiu. Alice explicou que, no seu caso, tem contado com algum apoio, o que facilita a preparação para o início das aulas.
**Alargamento do horário escolar **
Uma das novidades deste ano lectivo é o alargamento do horário escolar, anunciado pelo Governo. O projecto-piloto que permitirá aos alunos permanecerem em espaços supervisionados para além do período regular das aulas, numa medida que pretende apoiar as famílias e aliviar os avós que frequentemente assumem os cuidados das crianças.
Na semana passada, o Ministério da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho (MFIDST) e a Imobiliária, Fundiária e Habitat (IFH), estiverem em reunião, estiveram a trabalhar na identificação de infra-estruturas e imóveis próximos de escolas e comunidades para apoiar a implementação do projecto.
Segundo o Governo, o projecto-piloto deverá arrancar a 1 de Outubro, nas ilhas do Sal, Boa Vista e Santiago (Cidade da Praia) abrangendo 500 crianças dos 6 aos 15 anos em cada uma das ilhas.
O alargamento do horário escolar pretende garantir um acompanhamento através de actividades complementares. Entre as actividades previstas estão leitura, desporto, música, dança, teatro, pintura e apoio ao estudo, numa lógica de ocupação e acompanhamento das crianças durante um período mais alargado do dia.
Em entrevista a este semanário, nenhuma das mães tinha conhecimento prévio do projecto, pelo que as suas opiniões sobre a medida ainda eram pouco consolidadas.
Eunice Tavares não tinha ainda uma opinião totalmente formada sobre o novo projecto, mas considerou que poderá ser positivo, sobretudo para os pais que trabalham. Na sua perspectiva, o tempo adicional na escola não deveria ser necessariamente destinado a mais aulas, mas a actividades complementares.
“Para disciplina, não. Para outras actividades que relaxam. Actividades físicas e artes, música, dança, nesse sentido, sim, acho que seria muito bom”, fundamentou.
Já Suzi Lima avaliou positivamente a medida, sobretudo por permitir que os pais que trabalham deixem os filhos num espaço seguro durante mais tempo. Na sua perspectiva, a permanência prolongada na escola poderá também ajudar a ocupar o tempo das crianças e evitar que fiquem sozinhas em casa ou na rua.
Quanto à adaptação, admitiu que alguns alunos, sobretudo os mais novos, poderão sentir maiores dificuldades no início, por se tratar de uma mudança na rotina habitual.
Por sua vez, Sara Vieira mostrou-se favorável ao alargamento do horário, sobretudo pela possibilidade de as crianças permanecerem mais tempo num ambiente seguro. Ainda assim, alertou para possíveis dificuldades de adaptação à nova rotina, uma vez que os alunos estão habituados a sair mais cedo da escola.
“A maioria dos alunos pode não se adaptar facilmente. Eles têm vontade de ter aquela liberdade, de sair da escola. Principalmente os do primeiro ano podem sentir-se um pouco sufocados”, frisou.
**Expetactiva para o ano lectivo **
Eunice Vanusa disse esperar que este ano lectivo seja um ano de sucesso, fazendo um balaço positivo dos resultados escolares dos filhos.
“O ano passado foi satisfatório, tiveram bons professores, participamos das reuniões e para este e ano lectivo que se inicia brevemente, desejo que seja ainda melhor”, indagou Eunice Vanusa.
Entretanto, esta mãe manifestou a preocupação com o peso das mochilas, considerando que, sobretudo no primeiro ano, os alunos têm muitos livros, o que representa uma carga elevada para uma criança transportar às costas.
“Sinto que eles têm muitos materiais, livros pesados. Só de Língua Portuguesa, têm três tipos de livros: dois normais e um de exercícios. Depois, têm Matemática, Ciências Integradas e Educação Moral. Num dia com quatro disciplinas, se analisarmos, é muito peso para uma criança”, detalhou.
Neste sentido, acredita que as escolas poderiam encontrar alternativas para reduzir o peso das mochilas, sobretudo nos dias em que os alunos têm várias disciplinas, como por exemplo, um armário de guardar materiais.
“No início, há aquela empolgação e querem levar as suas mochilas eles próprios, mas depois, com o tempo, não aguentam mais. A minha filha não consegue. Eu é que levo a mochila de casa para a escola e da escola para casa”, sublinhou.
Suzi Lima mostrou-se optimista em relação ao novo ano lectivo e espera que seja um período positivo para os filhos. Mas, para este ano, alertou para a importância de haver maior atenção ao comportamento dos alunos e à convivência entre as crianças, defendendo que a escola deve continuar a promover a paz e o respeito.
“Quaisquer comportamentos que estejam a trazer alguns conflitos entre os alunos, os professores e a direcção das escolas devem estar cientes. Não devem esperar que a situação piore para chamarem os pais. Têm de ser resolvido cedo”, sustentou.
Para o novo ano lectivo, Alice disse esperar resultados positivos tanto para os alunos como para os professores. Mas defendeu também um maior acompanhamento dos alunos por parte das escolas, considerando que o apoio e a orientação dos professores podem contribuir para o sucesso escolar.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1294 de 16 de Setembro de 2026.
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About this article
- Length
- 1,482 words · 7 min read
- Published
- September 19, 2026
- Byline
- Anilza Rocha
- Source
- Expresso das Ilhas