Sem construtoras africanas, o Corredor do Lobito promete industrializar África
Samaila Zubairu explica que nenhuma construtora africana chegou à fase final por falta de experiência em grandes obras “dentro do prazo e do orçamento”. E rejeita a ideia de que o Corredor do Lobito sirva apenas para exportar minérios: promete industrialização em Angola, na Zâmbia e na RDC.
A Africa Finance Corporation (AFC) escolheu um consórcio europeu e turco para construir a nova linha ferroviária na Zâmbia, um passo decisivo no Corredor do Lobito, o projecto apoiado pelos Estados Unidos para levar minerais e metais críticos até à costa atlântica de Angola. O troço zambiano, de cerca de 517 quilómetros, deverá caber à italiana Webuild, à portuguesa Mota-Engil e à turca IC İçtaş. O troço angolano, entre a fronteira e Luacano, deverá ficar com a Mota-Engil e a brasileira Odebrecht.
O projecto, que inclui também a modernização do Caminho-de-Ferro de Benguela, vale vários milhares de milhões de dólares. É uma das maiores apostas em infra-estruturas de Washington na tentativa de contrariar o domínio chinês na exportação de minérios africanos.
“Não é só transportar recursos”
Em declarações ao Semafor, o presidente executivo da AFC, Samaila Zubairu, rejeitou as críticas de que o projecto serve apenas para escoar recursos africanos, numa altura em que ganha força a ideia de os transformar no continente. Para o responsável, a linha será um catalisador para um crescimento industrial mais amplo em Angola, na Zâmbia e na vizinha República Democrática do Congo.
Questionado sobre a ausência de empresas africanas entre os construtores escolhidos, Zubairu explicou que a AFC deu prioridade a quem tem provas dadas na entrega de grandes infra-estruturas “dentro do prazo e do orçamento”. Mas deixou um desejo: “Da próxima vez que fizermos um projecto como este, que ele venha realmente de África.”
As negociações dos contratos começam em Novembro e deverão estar concluídas em oito a 12 semanas. Segundo Zubairu, a construção deverá arrancar dentro de seis a oito meses. A nova linha deverá reduzir de 16 para sete dias o tempo de transporte de mercadorias entre o Copperbeltzambiano e os mercados internacionais.
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- 340 words · 2 min read
- Published
- October 28, 2026
- Byline
- Anette
- Source
- Mercado