Estado leva a leilão 59% da Aldeia Nova e coloca à venda participação de 1,44% no BCA
O Estado angolano está a avançar com dois processos de alienação de participações sociais no âmbito do Programa de Privatizações (PROPRIV), envolvendo a empresa agro-pecuária Aldeia Nova e o Banco Comercial Angolano (BCA), numa operação que abrange activos de sectores distintos da economia.
No caso da Aldeia Nova, o Estado colocou, ontem quarta-feira, dia 7, em leilão electrónico uma participação de 59% do capital social da empresa, com um valor de referência de 11,315 mil milhões de kwanzas. A operação enquadra-se no processo de privatização da empresa, que integra a carteira de activos do PROPRIV.
Criada em 2012, a Aldeia Nova desenvolve actividade no sector agro-pecuário e mantém uma ligação directa a cerca de 15 aldeias, envolvendo sobretudo famílias de antigos militares. O projecto integra actividades de produção agrícola e pecuária e transformação de produtos, incluindo ovos, frangos, leite, milho e soja, além de derivados como iogurtes, queijos e carne fresca.
A alienação da participação estatal abre, assim, espaço para a entrada ou reforço da presença de investidores privados numa empresa com actividade na cadeia de produção agro-alimentar, num segmento considerado relevante para a diversificação da economia angolana.
BCA: Estado aliena 1,44% recuperados
Em paralelo, o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) abriu o Concurso Público n.º 01/2026 para a alienação de 1,44% do capital social do Banco Comercial Angolano, participação que corresponde a 900.420 acções.
A participação integra os activos recuperados pelo Estado no âmbito dos processos de recuperação de activos associados a Augusto Tomás. A privatização havia sido autorizada pelo Despacho Presidencial n.º 140/26, de 20 de Abril, no âmbito do PROPRIV 2023-2026.
De acordo com o anúncio do concurso, a alienação será realizada através de leilão electrónico, estando aberta a investidores nacionais e estrangeiros. O critério de adjudicação será o maior valor de licitação, enquanto o preço de base será determinado a partir de uma avaliação financeira prévia. O processo salvaguarda igualmente o eventual direito de preferência dos demais accionistas.
Os interessados têm até 26 de Outubro de 2026 para apresentar as respectivas candidaturas através da Plataforma de Leilão Electrónico. O leilão está previsto para 29 de Outubro, entre as 09h00 e as 12h00.
A participação de 1,44% corresponde, em termos contabilísticos, a cerca de 820 milhões de kwanzas, segundo dados relativos aos capitais próprios do BCA no final de 2025. Este valor contabilístico não corresponde necessariamente ao preço de alienação, uma vez que a adjudicação decorrerá das licitações apresentadas pelos investidores.
Os dois processos fazem parte da estratégia de continuidade do PROPRIV, actualizado em Fevereiro deste ano, que inclui entre os activos a privatizar a participação estatal de 1,44% no BCA e prevê a alienação de participações e activos públicos através de diferentes modalidades.
Com estas operações, o Estado prossegue a redução da sua participação directa ou indirecta em empresas e a alienação de activos recuperados, recorrendo a mecanismos de mercado destinados a atrair investidores privados para diferentes sectores da economia angolana.
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- 490 words · 2 min read
- Published
- October 8, 2026
- Byline
- Anette
- Source
- Mercado