Sofala prevê assistir 35 mil agricultores face aos efeitos do EL NIÑO
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Texto de Nicolão Chichone
A província de Sofala prevê assistir cerca de 35 mil agricultores no âmbito das medidas de mitigação dos efeitos do fenómeno climático El Niño, cuja ocorrência, durante a campanha agrária 2026/2027, poderá provocar períodos prolongados de seca, irregularidade da precipitação e escassez de água em várias regiões do país.
A informação foi avançada por Elvira Chaúque, directora-geral do Instituto de Desenvolvimento da Pesca e Aquacultura (IDEPA), durante a reunião de divulgação e socialização das medidas de mitigação dos efeitos do El Niño na campanha agrária 2026/2027, realizada na cidade da Beira.
Segundo a responsável, as previsões apontam para que aproximadamente 280.988 agricultores sejam afectados pelos efeitos em Sofala uma das províncias abrangidas pelo programa de intervenção do Governo.
A iniciativa enquadra-se numa estratégia nacional de resposta preventiva e atempada aos impactos das alterações climáticas, tendo em conta a vulnerabilidade das comunidades cuja sobrevivência depende, em grande medida, da produção agrícola, da criação de animais e da exploração dos recursos pesqueiros.
De acordo com as projecções apresentadas no encontro, Moçambique poderá registar uma redução e irregularidade da precipitação nas regiões Centro e Sul, com períodos prolongados de estiagem, enquanto a região Norte poderá ser afectada por chuvas acima do normal.
Neste contexto, o Governo prevê implementar um conjunto de medidas que incluem a disponibilização de sementes adaptadas à seca, insumos agrícolas, assistência veterinária, reforço dos sistemas de irrigação e melhoria das condições de conservação pós-colheita.
Para Sofala, que compreende 13 distritos abrangidos pelas previsões de ocorrência do fenómeno, está prevista a distribuição de 34.700 “kits” de apoio às componentes de agricultura, pecuária e irrigação, como forma de assegurar a continuidade das actividades produtivas e reduzir as perdas das famílias rurais.
Na componente agrícola, o programa contempla dois tipos de “kits”, nomeadamente os destinados às zonas com potencial para a produção de arroz e os que integram culturas mais resistentes à escassez de água, com destaque para a batata-doce, mandioca e diferentes variedades de feijão.
Aos produtores que desenvolvem as suas actividades nas zonas baixas e húmidas recomenda-se o aproveitamento dessas áreas para a produção de hortícolas, tendo em conta a disponibilidade de humidade no solo, mesmo durante os períodos de fraca precipitação.
No sector pecuário, a intervenção deverá privilegiar a disponibilização de medicamentos para o tratamento de doenças, vacinas, vitaminas e outros suplementos alimentares, incluindo feno e silagem, para garantir a sobrevivência dos animais durante os períodos de escassez de pastagens e água.
O programa prevê igualmente a disponibilização de bebedouros e outros meios destinados a melhorar as condições de abeberamento dos efectivos pecuários, sobretudo nas comunidades mais vulneráveis aos efeitos da estiagem.
Na área das pescas e aquacultura, Chauque alertou para os possíveis efeitos das temperaturas elevadas sobre os ecossistemas aquáticos, situação que poderá provocar alterações na distribuição das espécies e a migração de cardumes, com consequências para a actividade dos pescadores.
Perante este cenário, os operadores do sector são aconselhados a adoptar práticas de pesca sustentável e a reforçar os mecanismos de conservação do pescado, através de técnicas como secagem, fumagem e salga, permitindo prolongar o tempo de aproveitamento do produto e assegurar o abastecimento das comunidades que não dispõem de acesso directo aos recursos pesqueiros.
Para os piscicultores, a recomendação passa pela utilização de fontes permanentes de água para a produção de peixe em cativeiro, incluindo sistemas de criação em gaiolas.
Entretanto, devido ao risco de temperaturas elevadas e à consequente redução do oxigénio disponível na água, aconselha-se a diminuição da densidade de povoamento das gaiolas, evitando a concentração excessiva de peixes num mesmo espaço.
Os produtores são igualmente orientados a reduzir a quantidade de ração fornecida durante os períodos de calor intenso, de modo a evitar situações de stress e problemas de digestão nos animais.
Durante o encontro, foi levantada a preocupação relacionada com a distribuição dos insumos e sementes pelos diferentes distritos da província, tendo sido questionado o equilíbrio na atribuição dos apoios, sobretudo perante as diferenças de vulnerabilidade e a presença de parceiros de desenvolvimento em determinadas regiões.
Em resposta, Elvira Chauque explicou que a definição das quantidades a distribuir tem como principal referência os dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), que identifica os distritos com maior ou menor exposição aos efeitos do fenómeno.
Contudo, reconheceu a necessidade de considerar também a intervenção dos parceiros de cooperação, de modo a evitar a concentração de apoios em distritos que já beneficiam de outras iniciativas, em prejuízo de comunidades igualmente vulneráveis.
Neste sentido, apelou às autoridades provinciais para fornecerem informações sobre os distritos que contam com maior presença de parceiros, permitindo ao Governo ajustar a distribuição dos recursos e assegurar uma resposta mais equilibrada.
A responsável sublinhou que a mitigação dos efeitos do El Niño não constitui uma responsabilidade exclusiva do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pesca, mas exige o envolvimento coordenado de diferentes instituições do Estado, governos distritais, autoridades policiais, Procuradoria e parceiros de desenvolvimento.
A reunião serviu, assim, para harmonizar os mecanismos de implementação do programa, identificar os principais desafios e recolher contribuições dos diferentes intervenientes, com vista a reduzir os impactos do fenómeno climático sobre a produção alimentar e os meios de subsistência das famílias da província.
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- Published
- October 31, 2026
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- Jornal domingo
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- Jornal Domingo