Banco Mundial eleva para 4,3% previsão de crescimento económico de África em 2026
O Banco Mundial reviu em alta a previsão de crescimento económico de África para 2026, de 4,1% para 4,3%, justificando a actualização com o melhor desempenho registado em várias economias da região. A instituição apelou ainda aos governos africanos para reforçarem os investimentos em inteligência artificial (IA), como forma de aumentar a produtividade e criar emprego.
De acordo com o relatório Africa Economic Update, divulgado hoje, terça-feira, dia 6, a economia da região tem demonstrado resiliência perante um contexto internacional adverso, marcado, entre outros factores, pelo aumento dos preços da energia provocado pelos impactos da guerra entre o Irão e Israel nas cadeias de abastecimento. Em 2025, o crescimento económico da região situou-se em 4,1%.
A revisão em alta reflecte uma confiança crescente de que as reformas implementadas em algumas das maiores economias africanas começam a produzir resultados, apesar da turbulência nos mercados internacionais de energia. Contudo, a melhoria do desempenho económico ainda não se traduziu numa redução significativa da pobreza, uma vez que o crescimento do rendimento por habitante continua abaixo do ritmo de expansão da economia em grande parte do continente.
Angola é um dos países com revisão em alta
«A actividade económica na África Subsaariana continua a demonstrar uma resiliência notável, com as previsões de crescimento a serem revistas em alta para quase três quartos dos países da região», afirmou Andrew Dabalen, economista-chefe do Banco Mundial para África.
Angola, Zâmbia, Nigéria e Etiópia estão entre os países que beneficiaram de revisões em alta das respectivas previsões de crescimento. O Banco Mundial atribui esta evolução aos anos de reformas económicas e à melhoria da gestão das economias, que começam agora a produzir resultados.
Apesar da melhoria das perspectivas, permanecem riscos relevantes, entre os quais um prolongamento dos conflitos no Médio Oriente, o fenómeno climático El Niño, as elevadas taxas de juro nas economias avançadas e os custos elevados do serviço da dívida, alertou Dabalen.
O endividamento público da região estabilizou, com o rácio da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) situado em cerca de 57%. Contudo, aproximadamente metade dos países africanos encontra-se em situação de incumprimento ou enfrenta dificuldades para assegurar o serviço da dívida, evidenciando a persistência de custos elevados de financiamento.
Inteligência Artificial como motor de produtividade
O Banco Mundial alerta que o crescimento económico mais rápido ainda não está a traduzir-se numa redução significativa da pobreza. O rendimento por habitante deverá crescer apenas 1,8% este ano, contra 1,6% em 2025.
«O próximo desafio é transformar o crescimento em mais empregos e melhores oportunidades», afirmou Dabalen. O economista defendeu que os governos africanos devem apostar no investimento em inteligência artificial para acelerar o crescimento da produtividade e das economias, tendo em conta os elevados investimentos realizados por países como os Estados Unidos, que contribuem para impulsionar o crescimento económico mundial.
Embora África disponha de menos infra-estruturas e capital para competir com as maiores economias mundiais no domínio da inteligência artificial, o continente pode beneficiar de aplicações práticas e de baixo custo, acessíveis através de dispositivos mais económicos, segundo o Banco Mundial.
Entre os exemplos estão ferramentas de IA destinadas a apoiar a aprendizagem dos estudantes, ajudar os agricultores a detectar e controlar doenças no gado e automatizar tarefas, como a contabilidade, nas pequenas empresas.
A criação de centros de dados partilhados e o reforço das leis de protecção de dados poderão igualmente contribuir para acelerar a adopção da inteligência artificial no continente, acrescentou o Banco Mundial.
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- 572 words · 3 min read
- Published
- October 6, 2026
- Byline
- Anette
- Source
- Mercado